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Airton Soares TREINAMENTO

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LI POR AI - Airton Soares - AS


TÁ QUENTE NÊ? 

 

A gente reclama tanto do tempo, mas sem ele parece que não saberíamos iniciar uma conversa...  Na fila do ônibus, banco, consultório, reunião ou coisa parecida:

 

 - Tudo bem?  - tudo bem!   e você?  - tudo bem! 

 

(Alguns segundos depois )

 

- E aí tudo bem? 

- tudo bem.

- Tudo bem mesmo?

- Tudo beeem! 

 

O clima é de muita ansiedade. Olhamos, concomitantemente, pro chão, teto, de lado, pra canto nenhum e... nada! o que  vou falar meu Deus!

 

Ah! se o problema fosse somente esse. Além de não encontrar assunto, não lembramos do nome. Que tragédia! E tome esforço para lembrar do nome e arranjar assunto.

 

É chegada a hora. O clima, artifício escolhido para introduzir esta crônica, entra em ação refrescando, pelo menos, o vexame da falta de conversa.

 

- Ô calor! Tá quente nê?

- É verdade. Muito quente. Aqui tá quente imagine em Sobral, e outras cidades labaredas. Hélio Passos diz que nesta época o calor é forte, tão forte que, lá para às 13 horas, até a sombra se defende - fica debaixo de nossos pés, bem abrigada. Mas, acho que vai chover.

 

 - É... também acho. 

 

De súbito, um dos interlocutores pega a "carona" e entra no "clima político" e vai "simbora"... Ufa!

 

 

 



Escrito por Airton Soares �s 21h57
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Saudade de Dona Benta

 

Zilka Salaberry de Carvalho
que no "Sítio" era Dona Benta
não partiu... pegou um atalho
Só mudou de vestimenta.   10 de março de 2005



Escrito por Airton Soares �s 21h56
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CUSTE O QUE CUSTELA

estou à procura de costela
não precisa ser rainha
chique ou bacharela
basta só uma coisinha
que seja chameguenta e me dê trela

não precisa ser bonita
nem tão pouco mulheraça
é do tipo afrodita
a deusa do amor e da graça ::



Escrito por Airton Soares �s 21h56
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EU VOU FICAR CALADO!  

Antes tinha minhas dúvidas, mas hoje tenho certeza de que a paciência de Jó nunca foi testada realmente. Ele nunca se defrontou com um zíper enganchado. Ontem, por volta ... eu vou ficar calado!



Escrito por Airton Soares �s 21h55
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EU VOU FICAR CALADO!  

Antes tinha minhas dúvidas, mas hoje tenho certeza de que a paciência de Jó nunca foi testada realmente. Ele nunca se defrontou com um zíper enganchado. Ontem, por volta ... eu vou ficar calado!



Escrito por Airton Soares �s 21h55
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Antes de cair na folia...

danceteria
fantasia
histeria

escuro
muro
imaturo

bebida
avenida
batida

porre
corre
morre

carnaval
hospital
mortal
cerebral
funeral
rumo fatal
rima final
antes de cair na folia,
"caia na real"



Escrito por Airton Soares �s 21h54
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Eu e o infinito 

 

gosto de estudar quando o mundo adormece.

quanto mais dorme, mais me escuta.

há ressonância instantânea entre o que acabo de conhecer

e o pulsar circunspecto do infinito.

 

Gosto muito dessa poesia.

Escrita há dois anos.

Ainda assim, leio, releio, inúmeras vezes...

Cada lida descubro outras poesias.

Umas prosaicas, outras, mistérios...

Tirante a vaidade 'narcísica' do poeta, parece que não fui eu quem escreveu.

Daí a razão do título.



Escrito por Airton Soares �s 21h54
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DEI UM JEITO NO MEU PÉ  

Nunca entendi:

- "Fulano, não consegui fazer a tarefa.
- Não quero saber. Dê o seu jeito."

Até aqui tudo bem! Agora vejam esta:

- Que foi isso sicrano?
- Um jeito que eu dei no pé.

A suposição: se deu um jeito no pé é porque estava desajeitado. Não seria mais lógico dizer: Um "desajeito" que eu dei no pé. Ora, se você estava com o pé bem direitinho, bem ajeitadinho de repente pisou em falso, torceu o pé, e diz que deu um jeito. Nunca entendi.Que língua a nossa! Dai a sua riqueza.



Escrito por Airton Soares �s 21h53
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TELE sem VISÃO

  

TV I

Ratinho, Cidade Alerta

Sílvio, Gugu e Faustão

É ibope na certa

Num país sem educação.

Quem desliga a TV acerta

Tem bom senso tem visão.

E por motivo de espaço e rima

Vai incompleta a relação.

 

TV  II

As notícias, piranhas famintas,

Invadiam meu silêncio e devoravam

Minguadas reflexões.

Apertei o botão da consciência

E captei imagens reais.

Cuidado... ‘essa onda pega’, mata e como!

 

TV III

Quem nunca brigou

Por causa da televisão?

Baixa e sobe volume

Respeite a confusão.

 

Por traz tem azedume

Nas brenhas do coração

Tem grosseria, ciúme,

Só não tem comunicação.

 

Com o descontrole na língua,

E o controle na mão

O casal vai à míngua

Finda o filme em solidão.

 

A culpa ninguém assume

Como resolver a situação?

Desligue a TV e se arrume

Arranje outra diversão.

 



Escrito por Airton Soares �s 21h52
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Artista é... 

 

Artista é um desajeitado,

Negócio, não sabe tanger.

Daí, ser engambelado

Na hora de se vender.

 

Coração encharcado

De sentimento e prazer,

O cliente desalmado

Desdenha seu vir-a-ser.

 

Na barganha é bom de taco,

Sabe muito bem se defender,

Vai direto ao ponto fraco

Como é fácil nos convencer!

 

A Arte despenca pra baixo,

Não passamos de pleonasmo

Com tudo isso, ainda acho:

Abaixo a pecúnia, viva o ser!

 

Mas... já dizia Santo Agostinho: precisamos de um mínimo de matéria, para cuidarmos bem das coisas do espírito.

 

Mas, afinal, o que fazer?

Do marketing, não abjures;

Dá o braço a torcer;

Trata de catar algures;

Alguém pra te promover!



Escrito por Airton Soares �s 21h51
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A BOLA DA VEZ

 

Se você perdeu dinheiro, não perdeu nada.

Se você perdeu a saúde, perdeu alguma coisa.

Mas se você perdeu o caráter perdeu tudo

Shakespeare

 

 

Você é feliz se você é bom de bola

Tudo que bola dá certo?

Mais acerto mais auto-estima

Mais auto-estima, mais motivação.

 

Você é feliz se você é bom de bala.

Nunca está em ponto de bala?

Tudo o abala?

Quem tem as rédeas de suas emoções

Jamais perde as estribeiras.

 

Você é feliz se você é bom de cara.

Como vai de cara-metade?

Mais carinho ou mais carão?

E de caraokê?

Canta, sorrir sincero para você?

 

Tudo isso, tem de ser encarado.

Sem carapuça!

 

Mas você é feliz mesmo, se você é bom de caráter,

Mesmo que lhe custe os olhos da cara.

 

Tê-lo faz parte da caravana da vida.

 

Pensa nisso cara okê?

 

Caramba! Pra isso nunca tinha dado bola.

 



Escrito por Airton Soares �s 21h50
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Miolo de pote

  

É BOM!

Amanheci com vontade de jogar conversa fora. Isso mesmo o que você está pensando, caro leitor: conversar "miolo de pote", "abobrinha" ou qualquer coisa neste estilo.

 

É bom! Nessas conversas tem rodada de piadas, rimos, cantamos,  extravasamos nossos queixumes, falamos de política, de religião, de futebol, da vida alheia (de leve). Não é da minha conta não, mas..

 

Haja pote pra miolo! A propósito: 'li por aí', em uma revista especializada, que a fofoca é um fator de manutenção das estruturas sociais, pois somente se fofoca daquilo que está fora do lugar. Que uma pessoa acolá não "escute" isso. Entraria amanhã mesmo para o livro dos recordes.

 

MAS É SEDUTOR

Concordei, em parte, com a revista. Lembro, agora, do enciclopedista francês Diderot, quando sabiamente diz: “É muito arriscado duvidar de tudo e acreditar em tudo.” O ideal, a nosso ver, é seguir aquele pensamento holístico: "Eu não tenho nenhum compromisso com as minhas idéias. Eu tenho, sim, compromisso constante com a busca da verdade." Difícil de pôr em prática este pensamento, não resta dúvida, mas que é sedutor (dialeticamente falando), ah isso é.

 

Mas, prosseguindo: para que a "miolada" aconteça, em sua plenitude, se faz necessário o desnudar dos mil e um papéis que o mundo, de certa forma, nos obriga assumir.

 

ALMA "MOLECA"

Quando atingimos este estágio aflora nossa alma "moleca" e o índice de espontaneidade bate todos os recordes na bolsa dos valores criativos. Estamos em ponto de bala para pôr "intenção de quermesse em nossos olhos", como diz Drummond, e "beber licor de conto de fada". Tudo é festivo... mágico. Estamos em um mundo ideal e neste mundo tudo dá certo, tudo é compatível.

 

TRISTE E CHORAMINGOSA

Por fim, nossa criança longe de se bastar é intimada a se recolher e volta a hibernar. Mas logo logo saltita, esperneia vulcanicamente, ansiando por mais quermesse e licor. Quase sempre contrariada em seus intentos, não chega sequer à porta de sua caverna psíquica e volta a hibernar, triste e choramingosa, causando enormes prejuízos à nossa musculatura emocional.

 

MAS TENTEI

É, caro leitor, hoje amanheci com vontade de  conversar "miolo de pote". Mas pelo visto não consegui jogar nada fora. Mas tentei. Fica pra outra oportunidade. E quando essa outra oportunidade chegar à minha janela, estarei a sua espreita e, dessa vez, não baixarei a persiana... e a minha criança animada, resoluta e ávida encherá mil potes de conversa  fiada nas biqueiras da vida...

 

 



Escrito por Airton Soares �s 21h49
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Nem mais, nem menos!

 

Estava num restaurante chique com um consultor de fora. Pedimos uma cerveja. Antes mesmo de o garçom abrir a garrafa, observei que estava "geladaça". Tão gelada que tive a impressão de que os pingüins do rótulo da garrafa estavam grudadinhos um no outro.

E olhe que pingüim não é de sentir frio.

 

Soerguendo o copo, não me contive e gritei! "ABARROTE"!

 

O amigo consultor e os circunstantes arregalam os olhos!? Senti o drama e imediatamente acrescentei: Locuplete!...

 

Desta feita quem arregalou os olhos foi o garçom. Mas, para acalmar a situação, suspirei e disse: encha completamente!

 

É isso, só existe comunicação quando entramos na freqüência lingüística do grupo. Tem de ser na medida certa. Nem mais, nem menos!

 

 

 



Escrito por Airton Soares �s 21h48
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Os “farofeiros”

 

Gosto da autenticidade dos "farofeiros". Despregados de qualquer convenção social, constroem em torno de si e de sua comunidade um verdadeiro quartel de convivência singular.

 

Barulhentos, anti-higiênicos, seja lá o que for, ao chegarem à praia com suas provisões: apetrechos logísticos (redes, panelas, churrasqueiras, carnes, sal e som); filharada "caneluda e remelenta" e a indispensável garrifinha do "celular"... quanta felicidade!

 

Isso é que importa.

 

- "Farofeiro" à vista!

 

Quase sempre fugimos. Eles nos incomodam. Tenho impressão de que incomoda mesmo é o nosso papel profissional e status social. Lá, bem escondidinhas, na medula do inconsciente existem em cada amante da etiqueta, com certeza, conexões desejosas em lambuzar a alma de farofa.

 

Concluo esta apologia citando Osman Lins, em Problemas Brasileiros, que diz assim: "Só existem, no Brasil, duas coisas verdadeiramente democráticas: a praia e a literatura. Estão sempre abertas a quem chega e ninguém paga entrada".

 

A praia, infelizmente, não é mais. Alguns prefeitos começam a enxotar banhistas pobres (os "farofeiros" que levam frango assado para comer com areia). Mas a literatura continua sem prefeito, se bem que não falte quem se apresente para delegado.



Escrito por Airton Soares �s 21h47
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Sem ver-nem-pra-quê

 

Acontece. Com mais ou menos freqüência, mas acontece. Tomemos como exemplo os livros. Para organizá-los, agendamos na categoria de alta prioridade e quanto maior a prioridade maior a postergação. De repente  "sem ver-nem-pra quê" um cutucão inconsciente nos faz passar horas e horas organizando o que planejamos há meses.

E tem mais: quase sempre em momentos esdrúxulos. Quando desejamos concretizar algo, todo dia é dia, toda hora é hora... Não é nossa intenção analisar se este comportamento é certo ou errado, mas que é um fato é. E quanta satisfação ao concluir a tarefa! Tudo volta a fluir frouxamente como folha seca no ar...

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Escrito por Airton Soares �s 21h46
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Correio!

  

Largava-se tudo e corríamos desembestados em direção à porta. Não havia caixa de correio. O carteiro, cúmplice do nosso êxtase, sentia dificuldades em disfarçar sua vontade de intromissão nos segredos envelopados.

 

Segundo ato, este mais consciente e estratégico, correr para o quarto, banheiro ou para outra dependência da casa que não estivesse “minada” e, salvo e sôfrego, posicionar o envelope em direção à luz para a indispensável “tomografia”.

 

Após o resultado do “exame”, podíamos abrir com certa segurança o envelope pelas beiradinhas ainda com receio de rasgar o conteúdo.  A atmosfera proibitiva era peça fundamental nesse ritual. E hoje, como é que é? O ritual continua. E a mesma atmosfera. Apenas com matiz  cibernética, virtual... “Tem mensagem nova em sua caixa de correio.” Ôôba!

 



Escrito por Airton Soares �s 21h45
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Construção de um sonho   

 

A vizinhança sorria à-toa. Naquela ruazinha, ia ser erguido um luxuoso prédio. Amélia, sempre sonhadora, também sorria à-toa. Antes mesmo de o material chegar ao canteiro de obras, já preparava terreno para convencer o pai a comprar um apartamento financiado, o que era difícil.

 

Baixa esse fogo, menina! Ponderava seu Alísio, cinqüentão amadurecido pelas provações do dia-a-dia.

 

Nem toda novidade é salutar – dizia ele – a idéia de que somente é bom o que é novo tem levado muita gente ao infortúnio. Não saio da minha casa para morar num “pombal”.

 

Argumentos e argumentos e argumentos... Amélia não se dava por vencida. Mas pai, o senhor tem que entender que um apartamento oferece mais segurança, menos trabalho.

 

Ia citar a palavra status. Lembrou-se da ojeriza do pai por tal expressão. Continuou seu dilúvio de argumentos.   Se mamãe fosse viva, tenho certeza de que já o tinha convencido a sair dessa casa

velha e empoeirada.

 

Isto fez com que ele retroagisse no tempo. Quando imaginava, remoía

lembranças. Duas lágrimas denunciavam suas tristezas. A época do namoro na praça da Matriz, as briguinhas enciumadas, filhos, problemas... Hoje, como uma árvore velha, apenas presa à terra, vegetava.

 

Suas lembranças não permitiam aceitar de pronto o pedido da filha.

Por favor, o senhor rubrica todas as vias do contrato e assina no verso. Não esqueça de...

 

Enquanto a imobiliária dava as devidas instruções, o sr. Alísio viajava através das saudades. Ah! Saudades, lástima solene e pungente da ausência. Dorzinha miúda, disforme se esparramando na alma da gente. 

 

Nutria-se de íntima tortura. Fechava os olhos para a realidade, mas não para as recordações as quais são o único paraíso que não podia ser expulso.  

 

A vizinhança continuava sorrindo à-toa. Naquela ruazinha, ia ser erguido um luxuoso prédio. Amélia, agora solitária e só, desta vez não sorria, apenas diariamente, de seu apartamento, olhava inerte a demolição de uma casa velha e empoeirada.



Escrito por Airton Soares �s 21h44
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DESCOMPASSO

 

Há muito que se questiona o progresso da humanidade. Polêmicas, controvérsias das mais inflamáveis debatidas em conferências, seminários atestam um acentuado descompasso entre o progresso tecnológico e a moral do ser humano. 

 

Somos capazes de viver em espaços siderais, conquistamos a Lua, criamos o bebê de proveta, coração artificial totalmente autônomo, de plástico e de titânio, mapeamos o genoma humano, daqui a pouco seremos “clonados”.  E outros inventos “julivernianos” estão no prelo. No entanto, predomina em nós o mais alto egoísmo e ambição. Não passamos de canibais em plena era dos chips. 

 

Daí o descompasso. Daí o questionamento. Vale a pena “endeusar” os avanços científicos e tecnológicos? Da maneira como são encarados, valorizados, não. Bem que se poderia conciliar tecnologia com humanismo.

 

Toda a nossa inteligência deveria ser direcionada a favor do ser humano. Infelizmente, o que se constata é o crescente aumento de criaturas robotizadas, não pensantes. Não passamos de máquinas. A única diferença é que as máquinas não sentem prazer... dor.        

 

Se todos os problemas da humanidade fossem por incapacidade do homem, o mundo não teria um terço dos grandes flagelos que nos massacram, que nos reduzem a pó. No entanto é patente a obstinação dos grandes grupos econômicos em saciar suas gulas pecuniárias.

 

Em síntese, achamos que se a tecnologia não estiver voltada para a promoção do ser humano, estaremos, em curto prazo, à beira de um cataclismo universal. 

Abril /1998  



Escrito por Airton Soares �s 21h43
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O Mundo Fora de Esquadro

 

Atravessamos momentos de turbulência. Mudanças meteóricas nos deixam ansiosos, sem perspectivas. Não sabemos, muitas vezes, o que é certo ou errado. O mundo está fora de esquadro. Nossas balizas, adquiridas na infância e adolescência, são meras figurinhas que fazem parte de um álbum amarelecido e jogado e que não tem mais importância na biblioteca da vida.

 

Virada de século, de milênio. Para muitos estudiosos é natural esta inquietude do ser humano. Justifica-se. Pretexta-se de tudo. Os valores mudaram, temos que acompanhar o bulício dos tempos!

 

Tudo isso faz parte da vida moderna. Os clichês se imortalizam. "Dinheiro não traz felicidade, manda buscar" ou "Dinheiro não é tudo, mas é cem por cento”. Sofregamente ansiamos salpicos de notoriedade. Enquanto buscamos nos inserir no contexto social somos incinerados, reduzidos a pó. É a lei do mais farto é a lei do mais forte. O que fazer?  Já estamos fazendo. Apelando pra  Ele, através de vários caminhos. Uns tendo como baliza as "figurinhas” de outrora, outros, valendo-se das "figurinhas virtuais".

 

Nesta procura desenfreada por Deus, quase sempre somos vítimas de ciladas e de embustes. Nossa capacidade de distinguir e de discernir o bem não acompanha a voracidade dos fabricantes de igrejas e de seitas. Nossa estreiteza mental se acentua diante da avalanche retórica de pseudopastores e de mentores espirituais.

 

Aqui, está muito difícil saber quem inspira confiança!

Aqui, está muito fácil saber quem conspira nossas finanças!

 

Trocadilho à parte, acreditamos que a mercantilização da nossa alma seria amenizada com o bom senso, mas bom senso requer educação no seu sentido lato. E isso é que não temos ou não queremos ter.

 

 



Escrito por Airton Soares �s 21h43
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O susto  

 

Saiu mais cedo da faculdade. Cansado, preocupado com as obrigações  que ainda tinha por fazer, caminhava a passos largos em direção ao estacionamento.

 

Deu partida no carro. De repente, sentiu a macieza cortante de um punhal em sua garganta.

 

Passa toda a grana e nada de esperteza – disse um dos mascarados – nada temos a perder.

 

Sem nenhum puto no bolso, se aproveitou do momento e se valeu da política: negociar! Isso. Não havia outra saída!  

 

Muito melhor o carro que o dinheiro. Aceitaram. Ainda se atreveu a fazer algumas recomendações: 

 

Cuidado com o freio-de-mão! Olha a luz alta. Não funciona.

 

Livre da morte e dos mascarados, saiu liso com as mãos no bolso.

 

No dia seguinte, os mascarados tiveram a ousadia e a bondade de devolver seu carro em perfeito estado.

 

Confuso, perguntou: 

 

Que é isso?

 

Os colegas da faculdade, tirando as máscaras, ensaiadamente, responderam: 

 

PRIMEIRO DE ABRIL! 



Escrito por Airton Soares �s 21h41
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LISA

 

Após a greve, o movimento no centro da cidade estava bastante intenso. Em certa repartição, a clientela, apesar do conforto, suava impaciente.

 

Ela entra. Todo mundo pára.

 

- Que pedaço! 

 

- É demais cara, olha aí!

 

- Como é que pode, meu irmão, um negócio desse?!!

 

Os cochichos se multiplicavam em progressão geométrica. Uns olhavam deliberadamente as insinuantes sinuosas curvas; outros, ao menor entretenimento da mulher, se agarravam com unhas e dentes a estes raros momentos de gozo visual.

 

Seu "indo-e-vindo" com “requebros febris”, o responsável por todo alvoroço, despertava, nos homens, impulsos de animalidade.  

Lisa, sentia-se feliz em seu mimetismo sexual. Afinal, queria mesmo era ter nascido mulher...

 

 



Escrito por Airton Soares �s 21h41
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“Não transforme o presente mais importante do que o ato de dar”.                                                

 

Por mais racionais que sejamos, nos curvamos diante dos apelos propagandísticos e acabamos por comprar alguma “besteirinha“ para o nosso “love” . Olhe! Eu não sei não, no meu caso (e tenho certeza de que não estou só) acho muito difícil me curvar dessa vez. Não por falta de vontade, é que a situação “tá qui tá”, como diria um amigo trovador: “A situação tá tão feia / Nossa grana tão escassa / Enquanto o vizinho churrasqueia / Passamos o pão na fumaça.”

 

Mas... sempre há saída pra tudo. Lembro-me, agora, de uma publicidade que li por aí, já faz algum tempo. Dizia assim: “Não transforme o presente mais importante do que o ato de dar”.

Achei “massa”!!

 

Nela pego carona e o presente que escolhi para o meu bem querer foi escrever-lhe. Parece pouco nos dias de hoje, bem o sei, mas pra mim este ato ainda faz um reboliço danado nas minhas entranhas mentais. E como reforço – e peço por tudo para não entenderem como pretexto barato – finalizo estas bem traçadas linhas, citando mais um colega trovador. “Não adianta papel, cor / Nem fraseado também / A maior carta de amor / Dizia apenas vem!!! 

 



Escrito por Airton Soares �s 21h39
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VÍNCULO DE AMIZADE

 

Todos nós temos uma segunda vocação oculta que se transforma em

hobby. A minha é gostar de ler, de escrever e de compartilhar isso com os amigos afins.

 

Gosto sempre de manter com os meus amigos um vínculo de amizade

permanente. Mas entre o gostar e o agirbastante espaço, no qual

enchemos de mil desculpas, sendo a mais comum a falta de tempo.

O que faz, na verdade, com que este vínculo não seja assim tão

permanente?

 

A – C - O - M - O - D - A - Ç – Ã - O.

 

Simplesmente.

O tempo passando... passando... a gente amadurecendo como bananas em carbureto e não damos por conta das pequenas boas coisas da vida: um bom papo, um boa conversa, uma boa amizade. Sempre deixamos para

amanhã, e quando bastante "estocados" de amanhãs, nos sentimos

tristes e amargurados.

 

Em sendo assim, escrevo, converso, reato o vínculo e torno-me novamente vazio de "amanhãs” e pleno do hoje e do agora.

Graças a Deus.



Escrito por Airton Soares �s 21h38
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filosofando

No dia dos meus 54 anos

 

Eu não uso de branduras com minhas falhas, nem dissimulações cabreiras, antes, encaro-as de frente sem quebrar os espelhos. Quem tem por hábito a justificativa não evolui.

- Exagero?

- Sim, exagera, AS, mas se você está fazendo por onde ser merecedor dessa virtude, já é um bom começo. Parabéns!

 

No tribunal da nossa consciência quase sempre levamos vantagem.



Escrito por Airton Soares �s 18h37
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